LOUCURA OU SANIDADE?

Published in 3 de maio de 2022 by

            Em uma de suas obras, o autor e psicoterapeuta britânico Adam Phillips traz uma discussão importante, contrapondo a ideia de loucura e sanidade. O que é ser louco? Existe sanidade? Analisando a retrospecção histórica do tema, é surpreendente a falta de encantamento pela ideia de sanidade, como existe com a da loucura. Não considerá-la, nos leva ao desalinhamento com o que queremos e possibilidades que desejamos para nós mesmos.

            Levando em consideração o movimento antipsiquiátrico no final dos anos 1960, enquanto a sanidade estava sendo questionada ao ponto de fundamentar-se na imagem de como as pessoas deveriam ser ou agir, não correspondiam com a complexidade de suas vidas. Ao passo que a loucura seria o retorno às complexidades e emergências da vida que indivíduos considerados sãos queriam excluir.

            Valendo-se desta reflexão, questiono ao leitor deste texto: quando falo sobre sanidade, o que lhe vem a mente? E quando falo sobre loucura? A realidade e considerando a crítica proposta por Phillips, a ideia de sanidade está muito relacionada à vidas com sucesso social, profissional, conformidade e submissão. Já a loucura, aos transtornos mentais e às pessoas que vivem sem considerar o padrão considerado mais “adequado” para interagir com o ambiente.

            Viver ignorando a complexidade da vida na tentativa de se manter são está deixando as pessoas acometidas. Viver pela imagem que passa, ao invés de viver pelo conteúdo que alicerça os seres humanos é o que gradativamente está transformando a humanidade cada vez menos humana.

            Deveríamos esquecer o questionamento de ser ou não normal e começar a pensar em quais são os propósitos de nossos comportamentos. Por exemplo, ao invés de perguntar se ser tímido é normal, comece a perguntar qual o propósito da timidez para aquele indivíduo. No final das contas, loucura mesmo, é desconsiderar que SER humano é profundo, intenso, complexo e ainda,  deslumbrante.

A VIDA NA PALMA DA MÃO

Published in 3 de maio de 2022 by

            Costumo brincar que se a vida tivesse um controle remoto para as pessoas fazerem dela o que bem entendem, seria muito chato e monótono. Nesta idealização de que minimamente conseguimos ter controle das situações, deixamos de prestar atenção aos benefícios da espontaneidade: surpreender e ser surpreendido.

            Pense: de tudo que viveu até aqui, quantas coisas você controlou? Quantas coisas não controlou? Quantas coisas foram boas justamente por não ter tido controle algum?

            A incessante busca por ter certeza das coisas que acontecem e vão acontecer, como tentativa de sentir segurança é justamente o que alimenta a insegurança, e ainda, a ilusão de que um dia que sabe, a vida vai caber na palma da mão.

            Vou escrever algo que talvez você não goste de ler (se você for uma das pessoas que quer ter certeza): você não controla nada. A vida seria muito pequena e com possibilidades muito limitadas se coubesse na palma da mão. Que bom que ela é maior e que é propriamente a espontaneidade que traz respiro e múltiplas possiblidades de viver. Lembrando: viver é diferente de só existir.